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Policiais militares são presos em operação contra roubo de cargas no Paraná

G1

Uma vasta operação policial no Paraná resultou na prisão de sete indivíduos suspeitos de integrar uma complexa organização criminosa especializada em roubo de cargas. Entre os detidos, encontram-se dois policiais militares – um em atividade e outro da reserva – além de funcionários de empresas de transporte, indicando a profundidade da infiltração do esquema. A ação conjunta, realizada pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) e pela Polícia Militar do Paraná (PM-PR) na manhã da última terça-feira (16), cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão em diversos municípios da Região Metropolitana de Curitiba, incluindo Piraquara, Pinhais e São José dos Pinhais, além da capital. As autoridades seguem em busca de um oitavo suspeito que permanece foragido, intensificando a caça aos demais envolvidos nessa rede de crimes.

A operação e os alvos: Desmantelando uma rede criminosa

As investigações que culminaram nas prisões tiveram início após um incidente de grande repercussão na região. Em setembro de 2023, um roubo de uma carga de cigarros avaliada em expressivos R$ 220 mil, ocorrido na cidade de Piraquara, acendeu o alerta das autoridades e impulsionou uma minuciosa apuração por parte da Polícia Civil. O valor substancial da carga e a audácia do crime sugeriam a atuação de um grupo bem-organizado, motivando os esforços iniciais para identificar os responsáveis.

O início das investigações: Um roubo de cigarros de alto valor

A delegada Juliana Cordeiro, à frente das investigações, detalhou que o aprofundamento das apurações permitiu que a polícia chegasse a alguns dos alvos iniciais. Um ponto de virada crucial foi a extração de dados dos aparelhos celulares dos suspeitos. Essa análise forense revelou a existência de uma organização criminosa estruturada e orquestrada, evidenciando um nível de planejamento e coordenação muito superior ao de um roubo comum. A partir das informações obtidas, a Polícia Civil conseguiu mapear as conexões entre os integrantes e o funcionamento do esquema.

O modus operandi: A participação de insiders e o uso de recursos

Um dos aspectos mais perturbadores revelados pelas investigações foi a participação de um motorista responsável pela própria carga roubada. Segundo a polícia, ele foi peça chave no esquema, fornecendo informações privilegiadas sobre a rota do caminhão e a rotina da equipe de transporte. Essa colaboração interna foi fundamental para o sucesso do crime e demonstrou a complexidade e a premeditação da quadrilha. Além do motorista, foram identificados outros autores, incluindo indivíduos com passagens policiais por crimes semelhantes, o que sugere a reincidência e a especialização do grupo no roubo de cargas. A investigação também apontou a existência de indivíduos responsáveis pelo fornecimento de armas e daqueles que arquitetaram o planejamento detalhado de cada ação. Para dificultar o rastreamento, os suspeitos utilizavam dois aparelhos celulares: um dedicado exclusivamente à organização e execução dos crimes, e outro para o uso cotidiano, numa clara tentativa de ocultar suas atividades ilícitas.

Implicações e apreensões: A resposta da justiça e da corporação

Os sete indivíduos presos, incluindo os dois policiais militares, enfrentarão sérias acusações perante a justiça. A natureza dos crimes imputados reflete a gravidade de suas ações e o impacto na segurança pública e econômica da região.

As acusações e a continuidade da investigação

Os suspeitos deverão responder por roubo majorado. A majoração do crime se dá em razão de diversos fatores agravantes: o roubo foi praticado contra empresas que estavam prestando serviço de valores, houve o emprego de arma de fogo e o concurso de pessoas, ou seja, a participação de múltiplos indivíduos na execução. Além disso, a descoberta da estrutura organizada da quadrilha resultou na acusação de integração a organização criminosa, um crime com penas elevadas. A Polícia Civil informou que as investigações continuam com o objetivo de identificar se o grupo está relacionado a outros casos de roubo de cargas na região e de apurar a possível participação de outros integrantes ainda não detidos. Como parte dessas investigações, as autoridades solicitaram a quebra do sigilo bancário dos suspeitos, visando rastrear movimentações financeiras e identificar a origem e o destino dos lucros ilícitos.

O material apreendido e a postura da Polícia Militar

Durante a operação, a corporação realizou importantes apreensões que corroboram as evidências da atividade criminosa. Foram localizadas e apreendidas mais de 760 munições de diversos calibres, armas de fogo, rádios comunicadores para a comunicação durante as ações, rastreadores e múltiplos aparelhos celulares, reforçando o modus operandi da quadrilha. Além disso, foi determinado o sequestro judicial de três veículos e duas motocicletas que estavam ligadas aos investigados, visando descapitalizar a organização e reaver bens adquiridos com o dinheiro do crime.

A Polícia Militar do Paraná, por meio do subcorregedor, tenente-coronel Carlos, reforçou a posição institucional de não compactuar com desvios de conduta de seus membros. Ele assegurou que os dois policiais militares suspeitos estão à disposição da Justiça e que a corporação instaurará um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar suas condutas. Caso seja comprovado o envolvimento e o desvio, os dois policiais podem ser sumariamente expulsos da PM-PR, demonstrando a rigidez da instituição em casos de corrupção interna. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados pelas autoridades, conforme praxe em investigações em andamento.

Consequências e a luta contra o crime organizado

A operação contra a organização criminosa de roubo de cargas no Paraná é um marco importante na luta das forças de segurança contra o crime organizado e a corrupção. A prisão de policiais militares e a desarticulação de um esquema com a participação de insiders ressaltam a complexidade dos desafios enfrentados pelas autoridades. A ação conjunta da Polícia Civil e da Polícia Militar envia uma mensagem clara de que a impunidade não prevalecerá, e que a integridade das instituições será defendida. O compromisso em combater a criminalidade, seja ela externa ou infiltrada, é fundamental para garantir a segurança da sociedade e a credibilidade dos órgãos responsáveis pela ordem pública. A continuidade das investigações promete revelar ainda mais detalhes e possivelmente outros envolvidos, reforçando a importância de um trabalho policial persistente e qualificado.

Perguntas frequentes

1. Quantas pessoas foram presas na operação contra roubo de cargas?
Sete pessoas foram presas, incluindo dois policiais militares (um da ativa e um da reserva) e funcionários de empresas de transporte. Um oitavo suspeito permanece foragido.

2. Qual foi o crime que deu início às investigações?
As investigações tiveram início após o roubo de uma carga de cigarros avaliada em R$ 220 mil, ocorrido em Piraquara, em setembro de 2023.

3. Quais são as acusações enfrentadas pelos suspeitos?
Os suspeitos deverão responder por roubo majorado (devido ao uso de arma de fogo, concurso de pessoas e prática contra serviço de valores) e por integrar organização criminosa.

4. Qual a postura da Polícia Militar em relação aos policiais envolvidos?
A Polícia Militar do Paraná não compactua com desvios de conduta, informou que os suspeitos estão à disposição da Justiça e que será instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), podendo resultar na expulsão dos militares da corporação, caso as acusações sejam comprovadas.

Para mais atualizações sobre operações policiais e investigações no Paraná, continue acompanhando nossas notícias.

Fonte: https://g1.globo.com

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