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União paga R$ 1,05 bilhão em dívidas de estados e municípios em

© Marcello Casal JrAgência Brasil

A União honrou o pagamento de R$ 1,05 bilhão em dívidas atrasadas de estados e municípios durante o mês de novembro. Essa intervenção financeira reflete o papel do governo federal como garantidor de operações de crédito, assegurando a solvência de entes federados diante de seus compromissos. Com esse montante, o valor acumulado de débitos honrados em 2023 já soma R$ 9,59 bilhões, evidenciando a crescente dependência de estados e municípios das garantias federais para cumprir suas obrigações financeiras. O montante total de dívidas com garantia da União, que podem ser acionadas, atingiu R$ 11,45 bilhões no ano corrente, sublinhando a vasta dimensão desse mecanismo. Este cenário ressalta a importância das políticas fiscais e dos programas de recuperação para a estabilidade econômica dos estados e municípios brasileiros, além de impactar diretamente o orçamento federal.

O papel da União na garantia de dívidas de estados e municípios

O mecanismo de garantia federal é um pilar crucial na estrutura financeira brasileira, permitindo que estados, municípios e outras entidades federadas obtenham empréstimos e financiamentos junto a bancos nacionais e instituições internacionais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A União, representada pelo Tesouro Nacional, atua como avalista, oferecendo seus ativos para cobrir eventuais inadimplências desses entes. Quando um estado ou município não cumpre suas obrigações no prazo estabelecido, o Tesouro é notificado pelos credores e assume o pagamento da dívida.

Este sistema, embora essencial para o desenvolvimento regional ao facilitar o acesso a crédito, impõe um ônus financeiro significativo à União. Desde 2016, o total de dívidas garantidas e honradas pelo governo federal atingiu a impressionante marca de R$ 85,04 bilhões. Essa cifra destaca a recorrência da inadimplência e a profundidade do endividamento subnacional.

Honras recentes e o histórico de pagamentos

A recente honra de R$ 1,05 bilhão em novembro de 2023 distribuiu-se entre diversos entes federados. O estado do Rio de Janeiro foi o principal beneficiário, com R$ 704,81 milhões de seus débitos não quitados sendo pagos pela União. Em seguida, o Rio Grande do Sul teve R$ 227,80 milhões de suas dívidas cobertas, enquanto Goiás recebeu o pagamento de R$ 75,32 milhões. Minas Gerais também se beneficiou com R$ 35,66 milhões. Municípios como Parauapebas (PA), com R$ 9,64 milhões, Paranã (TO), com R$ 116,15 mil, e Santanópolis (BA), com R$ 76,47 mil, também tiveram suas obrigações honradas pela União.

Quando a União honra uma dívida, o ente federado inadimplente sofre consequências diretas. O Tesouro Nacional desconta o valor coberto de repasses federais ordinários, como as receitas dos fundos de participação e o compartilhamento de impostos. Além disso, a capacidade do estado ou município de obter novos financiamentos é bloqueada, e sobre as obrigações em atraso incidem juros, mora e outros encargos contratuais, também pagos pela União. Essa dinâmica sublinha a necessidade de uma gestão fiscal rigorosa por parte dos governos subnacionais.

Recuperação de contragarantias e programas de renegociação

Apesar de a União assumir os débitos, existe um mecanismo de recuperação das chamadas contragarantias, que são ativos oferecidos pelos estados e municípios como forma de assegurar o cumprimento de suas obrigações. No entanto, a recuperação desses valores nem sempre é um processo direto.

Desafios na recuperação e o impacto do Propag

Desde 2016, a União conseguiu recuperar R$ 5,9 bilhões em contragarantias. Os maiores valores recuperados foram referentes a dívidas pagas pelos estados do Rio de Janeiro (R$ 2,77 bilhões) e de Minas Gerais (R$ 1,45 bilhão), além de outros estados e municípios. No acumulado do ano, a União já recuperou R$ 247,47 milhões em contragarantias. Contudo, há desafios significativos na execução dessa recuperação.

Do total de R$ 85,04 bilhões honrados pela União desde 2016, cerca de R$ 77,46 bilhões se enquadram em situações onde a execução das contragarantias foi bloqueada. Isso ocorre por diversas razões, como a adoção de regimes de recuperação fiscal, decisões judiciais que suspenderam a execução ou legislações específicas de compensação das dívidas. Essas situações demonstram a complexidade jurídica e política envolvida na gestão da dívida pública e na relação federativa.

Para mitigar esses desafios e oferecer uma solução estrutural, foi criado o Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag). Este programa, que esteve aberto para adesão entre 15 de abril e 31 de dezembro do ano corrente, visa renegociar as dívidas estaduais com a União. O Propag prevê uma série de condições para a adesão, incluindo a venda de ativos à União e a implementação de um plano de corte de gastos, em troca da liberação de até R$ 20 bilhões para investimentos nos estados. O programa também oferece descontos nos juros e o parcelamento do saldo das dívidas estaduais em até 30 anos. Em contrapartida, os estados aderentes devem aportar recursos para o Fundo de Equalização Federativa (FEF), que distribuirá dinheiro para todos os estados que aderirem, mesmo aqueles sem débitos com a União, para investimentos em áreas prioritárias como educação, segurança pública, saneamento, habitação e transportes.

Até o momento, sete estados aderiram ao Propag: Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Piauí, Ceará, Alagoas e Sergipe. Após a derrubada de vetos presidenciais ao programa pelo Congresso Nacional no fim de novembro, a expectativa é de que mais estados ingressem no Propag, buscando aliviar suas cargas fiscais e fomentar investimentos.

O caso específico do Rio Grande do Sul

Um exemplo recente de flexibilização na gestão de dívidas é o caso do Rio Grande do Sul. Em virtude das severas enchentes que assolaram o estado no ano passado, a União suspendeu o pagamento da dívida do estado por um período de 36 meses. Além disso, os juros que corrigem a dívida anualmente, estimados em cerca de 4% ao ano mais a inflação, também serão perdoados pelo mesmo período. O estoque da dívida do estado com a União está atualmente em torno de R$ 100 bilhões. Com a suspensão das parcelas, o Rio Grande do Sul terá R$ 11 bilhões liberados para serem utilizados em ações de reconstrução e recuperação das áreas afetadas.

Essa medida humanitária e econômica demonstra a capacidade do governo federal de adaptar suas políticas em situações de calamidade. É importante notar que, em junho de 2022, o Rio Grande do Sul já havia homologado um plano de recuperação fiscal com a União. Esse plano permitiu que o estado retomasse, de forma escalonada, o pagamento de sua dívida, que estava suspensa por liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) desde julho de 2017. Em troca, o governo gaúcho se comprometeu a executar um rigoroso programa de ajuste fiscal, que inclui desestatizações e reformas para reduzir os gastos locais.

Panorama e perspectivas futuras

A atuação da União como garantidora das dívidas de estados e municípios é uma faceta contínua e onerosa da gestão fiscal brasileira. O pagamento de R$ 1,05 bilhão em novembro, somado aos R$ 9,59 bilhões acumulados no ano e aos R$ 85,04 bilhões desde 2016, ilustra a magnitude do compromisso federal. Enquanto a União garante a estabilidade financeira subnacional, a recorrente necessidade de intervenção federal destaca a importância de uma governança fiscal prudente e a busca por soluções duradouras para o endividamento dos entes federados.

Programas como o Propag representam esforços cruciais para reestruturar as dívidas, oferecer alívio financeiro e incentivar a responsabilidade fiscal, ao mesmo tempo em que promovem investimentos em áreas essenciais. A flexibilização em casos de calamidade, como a do Rio Grande do Sul, demonstra a sensibilidade social e econômica do governo central. Contudo, os desafios na recuperação das contragarantias e a complexidade das negociações judiciais e políticas reforçam a necessidade de um debate contínuo e de reformas estruturais que visem à sustentabilidade fiscal de longo prazo para todos os níveis de governo no Brasil.

FAQ

O que são as garantias honradas pela União?
As garantias honradas pela União referem-se aos pagamentos que o governo federal realiza em nome de estados, municípios ou outras entidades federadas quando estes não cumprem suas obrigações financeiras (empréstimos e financiamentos) com bancos nacionais ou instituições internacionais. A União atua como avalista, assumindo a dívida em caso de inadimplência.

O que acontece quando um estado ou município não paga sua dívida garantida pela União?
Quando um ente federado não paga sua dívida, a União cobre o valor e, em contrapartida, desconta o montante dos repasses federais ordinários (como fundos de participação e impostos compartilhados) que seriam destinados a esse estado ou município. Além disso, o ente tem seu acesso a novos financiamentos bloqueado, e a União também arca com juros, multas e outros encargos previstos nos contratos.

O que é o Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag)?
O Propag é um programa federal destinado a renegociar as dívidas dos estados com a União. Ele oferece condições especiais como descontos nos juros, parcelamento em até 30 anos e liberação de recursos para investimentos, em troca de medidas de ajuste fiscal por parte dos estados, incluindo vendas de ativos e planos de corte de gastos. Os estados participantes também contribuem para um Fundo de Equalização Federativa (FEF) que distribui recursos para todos os aderentes.

Por que a União suspendeu os pagamentos da dívida do Rio Grande do Sul?
A União suspendeu o pagamento da dívida do Rio Grande do Sul por 36 meses, e perdoou os juros no mesmo período, devido às severas enchentes que atingiram o estado. A medida visa a liberar R$ 11 bilhões para o governo gaúcho, que serão usados em ações de reconstrução e recuperação das áreas afetadas pela calamidade.

Para mais informações detalhadas sobre as finanças públicas e os programas de recuperação fiscal, continue acompanhando as nossas análises.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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