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Auditoria do Governo do RJ Desvenda Fraude de R$ 400 Milhões na Cedae Saúde e Revela Conexões Suspeitas

© Tomaz Silva/Agência Brasil

Uma investigação aprofundada conduzida pelo governo do estado do Rio de Janeiro trouxe à tona indícios de desvios que ultrapassam a impressionante marca de R$ 400 milhões na Caixa de Assistência dos Empregados da Cedae (Cedae Saúde). O relatório detalhado, resultante de uma auditoria minuciosa, aponta para uma série de irregularidades financeiras, incluindo pagamentos suspeitos por serviços e um possível esquema de favorecimento a empresas com ligações diretas à antiga cúpula da entidade.

Diante da gravidade das constatações, o material completo da auditoria será imediatamente encaminhado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). A iniciativa visa aprofundar a apuração dos fatos e garantir a adoção das medidas judiciais cabíveis para responsabilizar os envolvidos e recuperar os recursos públicos e dos beneficiários desviados.

Detalhes da Fraude e o Papel da Cedae Saúde

A Cedae Saúde, criada em 1988, é uma entidade de fundamental importância para milhares de pessoas, encarregada de gerenciar a assistência de saúde de cerca de 17 mil beneficiários. Este grupo inclui funcionários ativos, seus dependentes, além de aposentados e pensionistas da Cedae. As irregularidades identificadas na auditoria comprometem diretamente a saúde financeira e a capacidade de atendimento dessa população.

O levantamento não apenas revelou a escala dos desvios, mas também detalhou a natureza das transações questionáveis, que variam desde pagamentos exorbitantes por serviços até o direcionamento de contratos a fornecedores específicos. Tais práticas indicam uma possível orquestração para drenar os recursos da caixa de assistência em benefício de interesses privados, em detrimento dos segurados.

O Início da Investigação e a Tentativa de Obstrução

A auditoria teve seu pontapé inicial após a exoneração do então presidente da Cedae Saúde, Eric Frederik Gualberto, ocorrida em junho de 2026. A chegada da nova diretoria à entidade marcou o início de uma nova fase, caracterizada pela busca por maior transparência e controle. Contudo, os novos gestores se depararam com um cenário preocupante: arquivos cruciais contendo nomes de fornecedores e registros contábeis referentes ao período de dezembro de 2023 a abril de 2026 haviam sido sistematicamente apagados, configurando uma clara tentativa de ocultar informações e dificultar qualquer tipo de investigação.

Apesar da sabotagem inicial, a equipe de auditores do governo estadual conseguiu reverter a situação. Com um trabalho técnico e persistente, os dados apagados foram recuperados, permitindo o avanço da apuração. A recuperação dessas informações foi essencial para desvendar os indícios de favorecimento a empresas e a teia de irregularidades que se estendia sob a antiga administração da Cedae Saúde.

Conexões Suspeitas e Disparidade Financeira nos Repasses

Um dos achados mais contundentes da auditoria diz respeito às conexões entre o ex-presidente e o fluxo de recursos. A investigação revelou que quatro empresas, com participação em uma offshore ligada a Eric Frederik Gualberto nas Ilhas Virgens Britânicas, receberam vultosos R$ 95 milhões durante o período em que ele esteve à frente da Cedae Saúde. Esta descoberta reforça as suspeitas de que houve um esquema deliberado para desviar fundos por meio de entidades com vínculos diretos à antiga gestão.

Adicionalmente, a auditoria analisou os repasses mensais da Diretoria Financeira e de Relações com Investidores da antiga gestão da Cedae para o custeio da Cedae Saúde. A nova diretoria constatou que os valores transferidos eram substancialmente mais altos do que o necessário para a operação da entidade. Enquanto a média de repasse na gestão anterior era de R$ 20 milhões por mês, o valor atual, após a reestruturação e a implementação de controles mais rigorosos, gira em torno de R$ 6 milhões, representando uma drástica redução de 70% nos custos mensais. Essa discrepância expõe o potencial de que grandes somas eram desviadas ou mal geridas anteriormente.

Implicações e Próximos Passos

A revelação dos desvios de R$ 400 milhões na Cedae Saúde acende um alerta sobre a fiscalização de entidades que gerenciam recursos vitais para a população. A apuração em andamento pelo Ministério Público será crucial para detalhar os mecanismos da fraude, identificar todos os responsáveis e, mais importante, buscar a reparação dos danos e a recuperação dos valores desviados. Este caso reafirma o compromisso do governo do Rio de Janeiro com a transparência e o combate à corrupção, buscando assegurar que os recursos destinados à saúde dos trabalhadores sejam utilizados de forma íntegra e eficiente.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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