A corrida pelo Senado Federal no Paraná ganhou novos contornos com a participação da candidata Cristina Graeml (PSD) em uma série de entrevistas promovida pelo telejornal Meio-Dia Paraná, da RPC. Durante a sabatina, que encerrou a rodada com os nomes mais bem posicionados na última pesquisa Quaest, Graeml abordou uma variedade de temas cruciais para o eleitorado, desde seu posicionamento sobre o financiamento de campanhas até questões sociais, econômicas e judiciais. Sua fala central girou em torno do Fundo Eleitoral, sobre o qual prometeu lutar pelo fim, caso seja eleita.
O Dilema do Fundo Eleitoral: Crítica e Utilização
Cristina Graeml, ao se candidatar ao Senado, recebeu um montante de R$ 3,5 milhões do Fundo Eleitoral para sua campanha, um fato que gerou questionamentos, visto que, em 2024, durante sua disputa pela Prefeitura de Curitiba, ela havia se manifestado contrária ao uso de recursos públicos em campanhas políticas. A candidata justificou a atual aceitação dos valores, argumentando que a realidade de uma campanha estadual exige uma presença capilar no interior do Paraná, algo inviável sem os recursos disponíveis pelas regras atuais. Ela reiterou seu compromisso em atuar pela extinção do fundo após eleita, ressaltando a necessidade de 'participar do jogo' para ter a chance de mudar suas regras.
Trajetória Partidária e Coerência Política
Um dos pontos levantados na entrevista foi a sequência de quatro trocas partidárias realizadas por Graeml em pouco mais de um ano, passando por PMB, Podemos, União Brasil e, finalmente, o PSD. A candidata defendeu que suas mudanças foram motivadas por circunstâncias políticas específicas de cada legenda e pela necessidade de filiação para disputar eleições, assegurando que seus princípios e pautas permaneceram inalterados. Ela também abordou as críticas que direcionou ao PSD em 2024 e sua atual aliança com o grupo do governador Ratinho Junior. Graeml explicou que 'os contextos já mudaram', negou a existência de um partido de direita genuíno no Brasil e afirmou que suas declarações anteriores foram, em sua visão, retiradas de contexto. Questionada sobre a aparente contradição entre criticar um 'sistema político apodrecido' e, posteriormente, declarar honra em integrar a equipe do governador, cujo candidato ela enfrentou em 2024, ela reafirmou sua luta contra o sistema, desvinculando-se de figuras nacionais específicas e defendendo a coerência de seu discurso.
Visão sobre Temas Sociais e Econômicos Chave
Fim da Escala 6×1 e Empregos
A proposta de alteração da jornada de trabalho, conhecida como fim da escala 6×1, recentemente aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, foi outro tópico de debate. Cristina Graeml expressou cautela, argumentando que a prioridade deve ser a manutenção dos empregos. Ela alertou para o potencial impacto negativo sobre micro e pequenos empresários, que poderiam ter dificuldade em arcar com novas contratações, e sugeriu que o Senado discuta primeiramente a redução da carga tributária sobre o trabalho antes de implementar mudanças na jornada.
Enfrentamento a Eventos Climáticos Extremos
Diante dos eventos climáticos extremos que têm afetado o Paraná, Graeml propôs o fortalecimento dos órgãos públicos, o investimento em sistemas de alerta, tecnologia e informação para a população. Ela também destacou a importância de moradias mais resilientes, citando o tornado em Rio Bonito do Iguaçu como exemplo, e manifestou a crença de que uma nova legislação ambiental, no momento, não seria a solução imediata.
Políticas de Gênero e Desigualdade
No que tange às políticas para mulheres, a candidata mencionou que suas propostas de 2024 já contemplavam essa agenda, apontando a carência de creches como um fator que afeta diretamente mães trabalhadoras. Ela também se comprometeu a atuar na proteção de mulheres vítimas de violência.
Posicionamento sobre o Supremo Tribunal Federal
Cristina Graeml manifestou-se favorável ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), baseando sua posição na necessidade de preservação da Constituição. Ela descreveu o cenário brasileiro como um 'estado de exceção', mencionando casos de censura a jornalistas e usuários de redes sociais, e responsabilizou a falta de fiscalização por parte do Senado pelos que considerou 'abusos do STF'.
Crítica à Atuação dos Senadores Atuais do Paraná
Reafirmando declarações anteriores, Graeml reiterou sua crítica aos atuais senadores do Paraná, qualificando-os como 'omissos'. Essa avaliação reflete uma das premissas de sua campanha, que busca oferecer uma nova representação para o estado no Senado Federal.
A entrevista de Cristina Graeml abarcou, assim, um panorama completo de suas visões e propostas, delineando seu projeto político para o Senado. Ao abordar desde o complexo uso do Fundo Eleitoral até temas de ordem social e judicial, a candidata buscou apresentar-se como uma voz coerente e engajada nas transformações que almeja para o Paraná e o Brasil.
Fonte: https://g1.globo.com