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Lei do Celular na Escola: 92% das Instituições Brasileiras Aderem à Restrição em Um Ano

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência

Um ano após a promulgação da Lei Nº 15.100/2025, que visa coibir o uso de telefones celulares para fins não pedagógicos nas instituições de educação básica, o Brasil registra uma impressionante taxa de adesão: 92% das escolas já implementaram as novas diretrizes. O dado, divulgado nesta terça-feira (30) pelo Ministério da Educação (MEC), reflete uma rápida internalização da legislação e um cenário educacional em transformação, onde a permissão irrestrita de dispositivos móveis, que antes abrangia 13% das escolas, agora inexiste.

Consolidação e Razões para a Rápida Aceitação

A celeridade na adoção das novas regras é um indicativo do alinhamento da política pública com uma demanda social premente. A secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, celebrou a aceitação, classificando a lei como “viva” em contraste com outras que se tornam “natimortas”. Segundo Schweickardt, o êxito da iniciativa reside em sua capacidade de endereçar uma preocupação generalizada com o uso desregulado de celulares em ambiente escolar, que comprovadamente atrapalhava a rotina e os processos de ensino-aprendizagem. Essa percepção social foi fundamental, como apontou Denis Mizne, CEO da Fundação Lemann, que atribui a rápida adesão ao amplo apoio de diversos setores da sociedade, incluindo espectros políticos variados, a imprensa, especialistas em educação e os próprios responsáveis pelos alunos. A conscientização de famílias e educadores sobre os malefícios do uso indiscriminado dos aparelhos no cotidiano escolar impulsionou a busca por uma mudança.

Mizne também ressaltou a relevância do número de escolas já adequadas, considerando que apenas 8% ainda não finalizaram a implementação, um índice natural diante do universo de mais de 140 mil instituições públicas em todo o país. Este panorama sugere não apenas a eficácia da lei, mas também um amadurecimento coletivo sobre a gestão da tecnologia na educação.

Metodologia da Pesquisa Nacional

Os dados que fundamentam esta análise são provenientes da Pesquisa Nacional do primeiro ano de implementação da legislação. O levantamento foi meticulosamente conduzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em uma colaboração estratégica com o Instituto Alana e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil. Entre março e abril deste ano, 8.189 gestores de escolas, tanto da rede pública quanto privada, em todas as 27 unidades da federação, foram consultados através de questionários. O presidente do Inep, Manuel Palacios, enfatiza que essa pesquisa não deve ser vista como um estudo isolado, mas sim como parte integrante de uma “constelação de estudos e preocupações” que buscam compreender e intervir nas transformações do ambiente educacional. As futuras etapas do levantamento preveem a inclusão de outros atores escolares, como coordenadores pedagógicos e professores, para enriquecer a perspectiva sobre o impacto da lei.

Progresso e Desafios na Execução das Novas Regras

A análise da pesquisa revela que, entre os 92% dos gestores que já informam a implementação da lei em suas instituições, 45% consideram o processo totalmente consolidado, enquanto 47% relatam que a implementação ainda está em curso. Esta divisão indica que, embora a adesão seja ampla, a jornada rumo à plena adequação ainda prossegue em muitas escolas. Cristieni Castilhos, CEO da organização sem fins lucrativos MegaEdu, aponta que essa fase de transição traz consigo desafios importantes para a gestão da proibição, exigindo que as escolas “testem protocolos e combinados” a fim de identificar as abordagens mais eficazes para suas realidades específicas e para as diferentes etapas de ensino, considerando a idade e características dos alunos. Um dos resultados notáveis é a intensificação da restrição: o uso de celulares em *todos* os espaços escolares, incluindo pátios e intervalos, mais que dobrou, saltando de 20% para 48%. Paralelamente, a permissão focada estritamente em atividades mediadas por profissionais da escola manteve-se estável, passando de 43% para 45%.

Resultados Positivos na Participação e Concentração dos Alunos

Os impactos da Lei Nº 15.100/2025 no cotidiano escolar são percebidos de forma significativamente positiva pelos gestores. Os questionários revelaram melhorias notáveis em aspectos cruciais do ambiente de aprendizagem e da convivência. Impressionantes 97% dos gestores concordam que a medida ampliou a participação dos alunos nas atividades pedagógicas, enquanto 95% observaram um aumento da concentração em sala de aula. Ademais, 86% afirmam que as atividades pedagógicas que envolvem tecnologias digitais foram mantidas ou até mesmo ampliadas, desmistificando a ideia de que a restrição de celulares limitaria o uso da tecnologia. Corroborando essa percepção, 71% dos gestores discordam veementemente que a lei restrinja o desenvolvimento de habilidades digitais dos estudantes. A secretária Kátia Schweickardt reitera que, antes da lei, as reclamações sobre os prejuízos dos smartphones sem critérios eram frequentes, mas agora a legislação cumpre seu papel de direcionar os recursos digitais para o verdadeiro propósito da aprendizagem.

Conclusão: Um Novo Paradigma para a Tecnologia na Educação

A Lei Nº 15.100/2025 emerge como um marco regulatório de sucesso no panorama educacional brasileiro, demonstrando que a intervenção legislativa, quando alinhada às necessidades da sociedade e da comunidade escolar, pode gerar transformações rápidas e impactantes. Os dados do primeiro ano de implementação confirmam uma ampla aceitação e resultados preliminares animadores, com gestores reportando melhorias tangíveis na concentração, participação e ambiente de convivência. Longe de ser uma proibição genérica da tecnologia, a medida estabelece um novo paradigma para a integração de dispositivos digitais no ensino, garantindo que estes sirvam como ferramentas para o aprendizado e não como distração. O caminho para a consolidação plena segue em frente, com as escolas adaptando-se e construindo práticas inovadoras para o uso consciente e pedagógico da tecnologia.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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