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Foragido por Duplo Homicídio em Disputa Neonazista é Preso na Itália Após 15 Anos

Dois são condenados por matar casal em festa neonazista

João Guilherme Correa, um homem de 35 anos condenado pela Justiça brasileira por assassinar um casal em 2009, foi capturado na manhã deste sábado (27) na região de Pavia, próximo a Milão, na Itália. A prisão marca o fim de uma longa fuga que durou 15 anos, período em que Correa permaneceu evadido após ser sentenciado pelos crimes. A ação foi resultado de uma intrincada operação de cooperação internacional, envolvendo a Polícia Civil do Paraná (PCPR) e autoridades italianas.

A Captura Internacional e a Rede de Cooperação

A detenção de João Guilherme Correa no território italiano representa um significativo avanço na busca por justiça e demonstra a eficácia da colaboração entre forças policiais de diferentes países. Correa era alvo de dois mandados de prisão em aberto no Brasil: um pela condenação do duplo homicídio e outro de prisão preventiva, expedido por crimes de racismo e apologia ao nazismo. A localização e a subsequente prisão foram possíveis graças a um trabalho conjunto que cruzou fronteiras, utilizando informações estratégicas obtidas pela investigação brasileira para subsidiar a ação das autoridades estrangeiras.

O Duplo Homicídio e a Motivação Extremista

O crime pelo qual João Guilherme Correa foi condenado chocou a cidade de Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba, em 2009. As vítimas, Bernardo Pedroso, de 24 anos, e Renata Ferreira, de 21, foram mortas a tiros após participarem de uma festa com temática alusiva aos 120 anos do nascimento de Adolf Hitler. A investigação da Polícia Civil do Paraná apontou que a motivação dos assassinatos estava diretamente ligada a uma disputa interna pelo comando de um grupo neonazista, que simpatizava abertamente com os ideais do ditador alemão, responsável pelo genocídio de milhões de judeus durante o Holocausto.

A Fuga Anterior ao Julgamento e as Condenações

Correa havia fugido dias antes de seu julgamento, que ocorreu à revelia. Ele foi condenado a 35 anos e dois meses de prisão. Segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR), o casal foi interceptado em Quatro Barras por outro veículo após sair do evento em Campina Grande do Sul. Dois suspeitos encapuzados, armados com pistolas, desceram e efetuaram disparos letais contra Bernardo e Renata, que morreram no local. Além de João Guilherme, Ricardo Barollo, apontado como o mandante, foi condenado a 48 anos e 9 meses, e Jairo Maciel Fisher, a 32 anos e 3 meses de prisão. Outros dois réus, Rodrigo Motta e Rosana Almeida Oliveira, foram absolvidos no mesmo processo judicial.

O Rastreamento e o Processo de Extradição

As investigações para localizar João Guilherme Correa, conduzidas por policiais civis da Delegacia de Sarandi, incluíram o cumprimento de mandados de busca e apreensão em imóveis ligados à sua família e pessoas próximas. A apreensão de aparelhos celulares e a análise de informações revelaram que o foragido havia deixado o Brasil e se estabelecido na Europa. Essa inteligência foi fundamental para que as equipes brasileiras articulassem a cooperação internacional, culminando na prisão. Agora, Correa permanecerá à disposição das autoridades italianas para os procedimentos cabíveis, incluindo o complexo processo de extradição para o Brasil, onde deverá cumprir sua pena. A família de Renata Ferreira expressou alívio com a notícia, manifestando a esperança de que o assassino seja em breve enviado ao Brasil para responder por seu crime.

A Apologia ao Nazismo na Legislação Brasileira

Além do duplo homicídio, João Guilherme Correa possuía um mandado de prisão preventiva pelos crimes de racismo e apologia ao nazismo, conforme detalhado pelo delegado William Araújo Ribeiro. A legislação brasileira, por meio da Lei nº 7.716/89, criminaliza severamente a prática, indução ou incitação à discriminação e preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, com penas de reclusão e multa. Em especial, a fabricação, comercialização, distribuição ou veiculação de símbolos, emblemas ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo, é considerada crime inafiançável e imprescritível, com pena de reclusão de dois a cinco anos e multa. Essa rigidez legal reflete o compromisso do Brasil em combater ideologias extremistas e proteger os direitos humanos fundamentais.

A prisão de João Guilherme Correa, após mais de uma década e meia de fuga, reitera a persistência das autoridades em buscar a justiça e serve como um lembrete de que crimes graves, como os motivados por ideologias de ódio, não permanecem impunes. A comunidade internacional aguarda agora os desdobramentos do processo de extradição, na expectativa de que o condenado retorne ao Brasil para cumprir integralmente a sua pena.

Fonte: https://g1.globo.com

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