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SUS Reforça Imunização Contra a Pólio com Retorno de Duas Doses de Reforço Injetáveis

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A partir de agosto, o Sistema Único de Saúde (SUS) implementará uma importante atualização no calendário vacinal infantil. Todas as crianças com 4 anos de idade voltarão a receber uma dose adicional de reforço da vacina contra a poliomielite. Essa medida marca o restabelecimento do esquema de imunização que vigorava anteriormente, porém, com uma distinção fundamental: todas as cinco doses administradas serão exclusivamente da vacina inativada (VIP), aplicada de forma injetável. A decisão visa fortalecer a proteção das crianças brasileiras diante da persistência do vírus em diversas partes do mundo.

Esquema Vacinal Atualizado: Mais Proteção com Segurança

A alteração mais recente define um novo padrão para a imunização contra a poliomielite no Brasil. O esquema completo passa a ser composto por três doses básicas, aplicadas aos 2, 4 e 6 meses de idade, seguidas por duas doses de reforço, uma aos 15 meses e outra aos 4 anos. Em todas essas cinco ocasiões, será utilizada a vacina inativada poliomielite (VIP), administrada por via injetável. Essa diretriz substitui práticas anteriores, que incluíam a famosa 'gotinha', a vacina oral de vírus atenuado.

A transição para o uso exclusivo da VIP reflete uma evolução nas estratégias de saúde pública. Embora a vacina oral tenha sido fundamental para a erradicação da doença em muitos locais, estudos demonstraram que, em situações extremamente raras, o vírus atenuado presente na gotinha poderia sofrer mutações e, em vez de proteger, causar a própria poliomielite. Para mitigar esse risco ínfimo, o Ministério da Saúde optou por adotar a vacina injetável para todas as etapas, garantindo a máxima segurança sem comprometer a eficácia. A decisão, comunicada em nota técnica pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) após deliberação da Câmara Técnica Assessora em Imunizações, entrará em vigor a partir de 3 de agosto.

A Essencialidade dos Reforços e o Cenário Global

A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBI), Isabela Ballalai, enfatiza a relevância do esquema de reforços. Segundo ela, a proteção conferida pela vacina tende a diminuir com o tempo, tornando as doses adicionais cruciais para manter os níveis de imunidade elevados e contínuos. Esta abordagem está alinhada com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que preconiza um esquema vacinal robusto para garantir a erradicação global da doença.

Embora o Brasil mantenha a poliomielite sob controle, com o último caso registrado há 37 anos e o certificado de área livre de circulação do vírus desde 1994, o cenário internacional inspira cautela. A circulação do poliovírus em algumas regiões do mundo gera surtos localizados que aumentam o risco de reintrodução da doença em países como o Brasil. A faixa etária abaixo dos 5 anos é particularmente vulnerável a desenvolver formas graves da doença, daí o foco na vacinação infantil. Em contextos de surto, no entanto, a vacinação pode ser estendida a adultos.

Legado de Luta Contra a Paralisia Infantil

A história da poliomielite no Brasil é um testemunho da importância da vacinação. Entre os anos de 1968 e 1989, o país enfrentou mais de 26 mil infecções, que muitas vezes resultavam em sequelas devastadoras. Conhecida popularmente como 'paralisia infantil', a poliomielite é uma doença viral que, embora cause sintomas leves na maioria dos casos, pode invadir o sistema nervoso central, resultando em paralisia permanente e, em situações mais graves, levando à morte. A ausência de casos no Brasil por quase quatro décadas é um feito notável, diretamente atribuível às campanhas de vacinação em massa.

Apesar do progresso global na erradicação da poliomielite, o vírus ainda circula em países específicos, ressaltando que a vacinação continua sendo a única ferramenta eficaz para prevenir a doença e salvaguardar a saúde pública. A vigilância e a manutenção de altas coberturas vacinais são essenciais para evitar que o Brasil reviva o período em que a poliomielite causava extensos surtos e deixava um rastro de incapacidade.

Com a reintrodução da segunda dose de reforço e o uso exclusivo da vacina injetável, o SUS reafirma seu compromisso com a saúde e o bem-estar das crianças. É fundamental que os pais e responsáveis verifiquem o cartão de vacinação de todas as crianças menores de 5 anos e as levem ao posto de saúde para garantir que o esquema vacinal esteja completo e atualizado, protegendo-as contra a ameaça da poliomielite e contribuindo para a manutenção do Brasil livre dessa doença.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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