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Bienal nas Escolas: Copa do Mundo Inspira a Leitura e Expande o Acesso Literário no Rio

© Tomaz Silva/Agência Brasil

Em um movimento estratégico para desdobrar a paixão pela leitura para além dos grandes eventos literários, a Bienal do Livro do Rio de Janeiro lança, pela primeira vez em um ano sem sua edição principal, o projeto Bienal nas Escolas. Embalada pelo clima da Copa do Mundo, a iniciativa busca engajar jovens leitores cariocas através de uma abordagem lúdica e inovadora, levando o universo dos livros diretamente para as salas de aula.

Expansão e Metas do Projeto Educacional

Organizada pela GL Events Exhibitions, responsável pelo evento principal, em parceria com o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), a Bienal nas Escolas começou sua jornada em abril na Escola Municipal Maria das Dores Negrão, em Oswaldo Cruz. A programação prevê a visita a pelo menos seis escolas ao longo do ano, com a próxima parada marcada para 11 de junho na Escola Municipal Sarmiento, no Engenho Novo, ambas na zona norte do Rio. O diretor de Marketing e Conteúdo da GL, Bruno Henrique, destaca a importância de ir ao encontro dos estudantes, ressaltando o papel fundamental da escola na formação do senso crítico e na transmissão de valores educacionais e culturais.

O projeto deste ano, cujo tema é <b>“Livros Mudam o Jogo”</b>, conta com o patrocínio de OLX e Accenture. A meta inicial é beneficiar ao menos mil alunos com idade entre 6 e 10 anos, com a distribuição de cem livros para cada instituição visitada, visando fortalecer suas bibliotecas e salas de leitura. Bruno Henrique enfatiza o carinho pela iniciativa, que emerge da compreensão profunda do propósito e da força da Bienal do Livro do Rio em transcender o formato tradicional e alcançar o público diretamente em seu ambiente de formação.

A Copa do Mundo como Ferramenta Lúdica para a Leitura

Para capitalizar a efervescência da Copa do Mundo, a Bienal nas Escolas adota uma estratégia criativa: um 'álbum de figurinhas' literário. Este álbum apresenta uma 'seleção' de personagens icônicos da literatura clássica de diversas nacionalidades, como Dom Quixote, Sherazade, Iara, Sherlock Holmes e Peter Pan. A proposta permite que as crianças troquem figurinhas e completem seus álbuns, estabelecendo uma conexão divertida e interativa com as histórias e, simultaneamente, ampliando seu repertório de referências literárias globais.

O diretor Bruno Henrique explica a escolha da temática: “Não tem como fugir desse assunto, porque a Copa do Mundo mobiliza vários países, e o Brasil, obviamente, é um deles. E, para a criançada, tem a brincadeira do álbum de figurinhas, que está sempre associado ao evento, mesmo para quem não gosta de futebol”. Essa abordagem visa posicionar o livro como uma fonte de entretenimento e prazer, alinhando-o ao contexto de educação e cultura, e despertando o interesse pela leitura de forma mais envolvente.

Diálogo com Escritores e o Impacto na Representatividade

Um dos pilares do projeto é o encontro direto dos alunos com escritores. Na Escola Municipal Maria das Dores Negrão, a convidada foi Kiusam de Oliveira, renomada autora de literatura afrodidática. Kiusam sublinhou a relevância da representatividade, da educação e do estímulo à imaginação desde a infância, destacando a potência do encontro ao se reconhecer nas vivências dos estudantes.

Em suas palavras, "tudo começa com a leitura do mundo, antes mesmo da leitura das palavras". Kiusam enfatiza que, ao se verem e se reconhecerem nas histórias, as crianças compreendem seu potencial para sonhar e transformar a realidade, assumindo seu compromisso de escrever para empoderá-las. A estudante Lara Braga, de 10 anos, fã dos livros de Kiusam, como "Com qual penteado eu vou" e "Tayó em quadrinhos", atestou o impacto da leitura: "Eu gosto porque eles falam de coisas importantes, como o respeito com o cabelo e com a cor da pele. Ler faz a gente sair um pouco das telas e ir para outros lugares. Acho que ajuda na imaginação e faz a gente aprender mais para o futuro".

O próximo encontro agendado será com a escritora Andrea Taubman, que dialogará com os alunos sobre sua obra de sucesso, "Não me toca, seu boboca!". A seleção dos autores é cuidadosamente feita em colaboração com as secretarias municipais e estaduais de Educação, garantindo a pertinência e o impacto das obras apresentadas.

Legado e Perspectivas para o Futuro da Leitura

Desde sua criação em 2019, o projeto Bienal nas Escolas já alcançou um total de 25 instituições, impactando uma média de 170 alunos por visita. No ano anterior, 2023, o projeto visitou 11 escolas, beneficiando cerca de 2.200 estudantes. Nomes consagrados da literatura infantil e juvenil, como Bia Bedran, Thalita Rebouças, Jessé Andarilho e Rodrigo França, participaram desses encontros em escolas da capital e da Baixada Fluminense, reforçando o poder transformador da palavra e do contato direto com os criadores.

A iniciativa demonstra seu valor contínuo na promoção do incentivo à leitura. Embora a programação inicial para este ano contemple cinco escolas, com potencial para se estender a outras instituições, a expansão do projeto dependerá da obtenção de mais apoio da iniciativa privada, conforme informado por Bruno Henrique. A Bienal nas Escolas reafirma seu papel crucial em democratizar o acesso à literatura e fomentar a paixão pelos livros nas novas gerações do Rio de Janeiro.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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