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Mercado da Carne: China Suspende Três Frigoríficos Brasileiros em Meio a Controles Sanitários e Reabilitações Recentes

© Marcello Casal JrAgência Brasil

O comércio internacional de carne bovina entre Brasil e China vivencia um período de intensa fiscalização e reajustes. Nesta semana, Pequim anunciou a suspensão temporária das importações de três importantes plantas frigoríficas brasileiras, citando a detecção de irregularidades sanitárias em carregamentos. A medida, de caráter preventivo, impacta unidades de grandes players do setor, mas ocorre em um cenário complexo, marcado também pela recente reabilitação de outras fábricas que estavam sob embargo.

Detalhes da Suspensão e Empresas Afetadas

As exportações de três plantas frigoríficas do Brasil para a China foram interrompidas por decisão das autoridades sanitárias chinesas. As unidades atingidas são da JBS, localizada em Pontes e Lacerda (MT); da PrimaFoods, em Araguari (MG); e da Frialto, situada em Matupá (MT). A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) confirmou a suspensão, enfatizando seu caráter temporário e preventivo, enquanto as empresas trabalham na identificação e correção dos pontos questionados.

As Razões por Trás do Embargo

A medida chinesa é uma resposta à identificação de irregularidades sanitárias em lotes de carne bovina destinados ao país. No caso específico da Frialto, a fiscalização chinesa apontou a presença do hormônio sintético acetato de medroxiprogesterona em uma das cargas exportadas. As empresas envolvidas estão agora focadas em rastrear a origem das cargas e implementar as ações corretivas necessárias, em conformidade com os rigorosos protocolos sanitários internacionais. A Abiec reitera que o Brasil possui um dos sistemas de controle sanitário mais avançados do mundo, com monitoramento contínuo da cadeia produtiva e atuação do Serviço de Inspeção Federal (SIF).

Impacto Imediato e Respostas da Indústria

Em decorrência da suspensão, a Frialto informou ter reduzido em 40% a produção de sua unidade em Matupá. Para mitigar o impacto, a companhia rapidamente redirecionou parte de sua produção para outros mercados estratégicos, incluindo Estados Unidos, México, União Europeia, além de nações árabes e asiáticas. A empresa também iniciou uma investigação técnica aprofundada nos lotes questionados e manifestou esperança de uma rápida retomada das operações antes do próximo ciclo de exportações da cota chinesa, previsto para 2027. Adicionalmente, a Frialto observou que a suspensão coincide com um período em que o Brasil se aproxima do limite da cota de exportação para 2026, o que naturalmente implicaria uma redução nos embarques no segundo semestre.

Cenário de Controles e Reabilitações Recentes

Paradoxalmente, a suspensão desses três frigoríficos ocorre na mesma semana em que a China autorizou a reabertura de outras três plantas brasileiras que estavam sob embargo desde março de 2025. Na quarta-feira anterior (20), as unidades da JBS em Mozarlândia (GO), da Frisa em Nanuque (MG) e da Bon-Mart Frigorífico em Presidente Prudente (SP) foram reabilitadas para o mercado chinês. A Abiec saudou a decisão, interpretando-a como um reforço da confiança das autoridades chinesas tanto no sistema sanitário brasileiro quanto na qualidade da carne produzida no país. A entidade também sublinhou a proatividade do Ministério da Agricultura e Pecuária nas negociações conduzidas diretamente em Pequim para restabelecer as habilitações. A China mantém-se como o principal destino da carne bovina brasileira, com mais de 100 frigoríficos do Brasil habilitados para exportar para o gigante asiático.

Este dinamismo no relacionamento comercial ressalta a importância da manutenção de altos padrões sanitários e a constante comunicação entre os governos. Enquanto as suspensões temporárias refletem o rigor da fiscalização chinesa, as reabilitações demonstram a confiança na capacidade brasileira de adequar-se e garantir a qualidade de seus produtos. A expectativa é que as unidades recentemente embargadas possam solucionar as questões apontadas e retomar suas atividades de exportação, fortalecendo ainda mais os laços comerciais entre os dois países.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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