Na noite do último sábado (9), um incidente alarmante chocou a comunidade de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, quando um socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi violentamente atropelado. O profissional estava sinalizando a Avenida Rui Barbosa para proteger o local de um acidente anterior, quando foi atingido por um carro. O motorista responsável pelo atropelamento, após uma breve e tensa interação com a equipe de resgate, fugiu do local, intensificando a gravidade do ocorrido e levantando sérias preocupações sobre a segurança dos profissionais de emergência.
A Dinâmica do Atendimento e a Dupla Ocorrência
A equipe do SAMU, que incluía o socorrista e um técnico de enfermagem, havia acabado de finalizar uma ocorrência na região e já estava retornando à base. No trajeto, deparou-se com uma nova cena de emergência: uma colisão entre moto e carro, exigindo intervenção imediata. Agindo com a prontidão esperada de profissionais de saúde, eles pararam para prestar o socorro inicial às vítimas deste segundo acidente. Enquanto o técnico de enfermagem avaliava os feridos, o socorrista desceu da ambulância para uma tarefa crucial: sinalizar adequadamente a via e prevenir novos acidentes, um procedimento padrão para garantir a segurança no local. Foi durante a colocação dos cones de sinalização que a tragédia se consumou, com o socorrista sendo atingido por um veículo inesperadamente.
A Fuga do Agressor e a Suspeita de Ameaça
De acordo com o relato de Marcelo, do Resgate Voluntário Parceiros da Vida (RVPV), que posteriormente foi acionado para dar apoio, o motorista do veículo que atropelou o socorrista desceu do carro após o impacto. Em vez de auxiliar, ele teria questionado a equipe sobre a necessidade de mover a vítima, o socorrista ferido. A situação escalou quando, ainda segundo Marcelo, o homem se identificou como policial e chegou a exibir uma arma. Contudo, ao ser solicitado a apresentar sua identificação para que os dados pudessem ser registrados no boletim de ocorrência, o indivíduo retornou abruptamente ao seu carro e fugiu do local, abandonando o socorrista à própria sorte e a cena do crime.
As Consequências do Atropelamento e a Rede de Apoio
O socorrista atropelado sofreu ferimentos graves, incluindo uma fratura no braço direito, uma lesão no ombro, suspeita de fratura na perna esquerda, além de contusões por todo o corpo. Após os primeiros socorros e a administração de medicação no próprio local do incidente, ele foi prontamente encaminhado ao Hospital do Trabalhador, em Curitiba, para receber atendimento médico especializado. Diante da situação em que a equipe do SAMU se encontrava, sozinha e com um de seus membros ferido, o Resgate Voluntário Parceiros da Vida (RVPV) foi acionado para prestar apoio à ocorrência, dada a proximidade de sua base, localizada a cerca de um quilômetro do local do acidente. Até o momento, não foram divulgadas atualizações sobre o estado de saúde do profissional ou das vítimas do primeiro acidente atendido.
A Busca por Justiça e Responsabilidade
A identidade do motorista que atropelou o socorrista e fugiu permanece desconhecida. A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) foi informada sobre o caso e está encarregada das investigações para identificar e responsabilizar o agressor. A ausência de identificação do motorista, a fuga após o atropelamento e a suposta intimidação com uma arma adicionam camadas de complexidade e gravidade ao crime, configurando não apenas omissão de socorro, mas também atos que merecem rigorosa apuração. A sociedade aguarda ansiosamente por respostas e que a justiça seja feita para este profissional que estava no cumprimento de seu dever.
Este trágico episódio é um doloroso lembrete dos riscos intrínsecos à profissão de socorrista e da vulnerabilidade desses profissionais em seu cotidiano. O ato covarde de atropelar alguém que está salvando vidas, e posteriormente fugir, é uma afronta à dedicação e ao heroísmo de quem atua nas linhas de frente da emergência. É fundamental que as autoridades ajam com celeridade e rigor para identificar e punir o culpado, reafirmando o compromisso com a segurança de todos, especialmente daqueles que nos protegem e socorrem.
Fonte: https://g1.globo.com